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O futebol precisa de uma Joanna Maranhão

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Para escrever algumas linhas semanais sobre esporte, sigo por meio das redes sociais um punhado de atletas – a maioria do futebol. A ostentação e a boa vida predominam, quando a gente sabe que o mundo real fora da internet é cheio de percalços e decepções (quase nunca expostas na web), com alguns momentos, claro, de felicidade e alegria (esses apresentados aos borbotões, no Facebook, Instagram, Twitter).

Mas acho que isso não é o maior problema. O grave de tudo é a omissão aos desmandos no futebol brasileiro, a insegurança, a falta de respeito com o torcedor e aos conchavos que só beneficiam os cartolas e seus “parceiros comerciais”.

No entanto, uma das poucas pessoas que sigo nas redes sociais e que me enchem de esperança, em meio à baboseira repetida diuturnamente por esportistas de várias modalidades, é a nadadora Joanna Maranhão. Ela simplesmente fala o que tem que ser dito sobre o meio em que vive, com coragem e audácia.

Joanna está na ativa, treinando e competindo. Alguns ex-atletas até se arriscam em palpitar em assuntos espinhosos, já que é mais confortável fazer isso do que para os que ainda têm de conviver com suspeitos nos corredores de campeonatos e cerimônias oficiais. Mas no caso dela, mesmo trabalhando, está lá, colocando a cara para bater.

E o seu alvo, na maioria das vezes, são os cartolas da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Suas posições pelas redes sociais contra as ações dessa gente foram persistentes e incisivas – e a nadadora chegou a prestar depoimento à Justiça contra a sua entidade.

Poucos dias atrás esse pessoal que usava a confederação para atrapalhar o desenvolvimento do esporte no País, ao contrário do que propalava pela frente, foi em cana. Agora ela pede mudança já na entidade.

Não é a primeira vez que Joanna Maranhão defende interesse público em alto grau de importância. Em 2008, revelou que sofreu abusos quando criança – e isso ajudou, e muito, tempos depois, na mudança do Código Penal relativo à punição mais rígida aos agressores.

Com inúmeros recordes e medalhas em importantes competições no continente, a nadadora Joanna Maranhão é um tapa na cara do jogador de futebol brasileiro, que fora de campo peca pela falta de atitude e absoluta submissão, mesmo com todas as evidências de ilegalidade batendo à porta.