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Reta final

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O primeiro turno do campeonato acreano entrou na reta final. Faltam apenas quatro jogos para que essa fase vá para o espaço e se transforme apenas em estatística e saudades. Somente quatro jogos. Restarão boas lembranças para uns e más recordações para outros. A vida é assim mesmo!

Quem se despede na maior melancolia é o glorioso Alto Acre, da simpática cidade de Epitaciolândia. Jogou seis vezes e tomou igual número de peias, marcando seis gols e sofrendo quinze. Demonstrou ter uma defesa ruim e um ataque medíocre. Desse jeito não tem time que aguente o tranco.

A pá de cal nas pretensões do chamado Papagaio da Fronteira foi jogada pelo Andirá, na noite da última quinta-feira. Os três a dois aplicados pelo Morcego foram definitivos. O jogo era uma decisão na parte inferior da tabela. Ao perdedor restaria entregar o pescoço à famigerada guilhotina.

Aliás, para falar a verdade, o Alto Acre viveu mais ou menos aquela situação narrada no romance “Crônica de uma morte anunciada”, do colombiano Gabriel Garcia Márquez. Começou com a escalação de vários jogadores irregulares e continuou com a sequência de derrotas no gramado.

Com isso, caso o Amax, de Xapuri, não conquiste o título da segunda divisão, toda uma região acreana vai ficar sem representante na elite do futebol local no ano que vem. Uma lástima, se a gente levar em conta todos os grandes craques que nasceram por ali e saíram para jogar sua bola por aí.

Enquanto escrevo lembro vários desses craques oriundos da região do Alto Acre (mesmo nome do time agora rebaixado). Cito alguns: Bruno Couro Velho, centroavante lendário; Lelê, armador cheio de estilo; Aldemir Lopes, atacante bailarino; Hélio Fiesca, Bebé, Rui Macaco, Anjo, Canjerê…

Sem falar, mas já falando, do polivalente Alcione, craque do presente que saiu da fronteira para vestir as camisas dos melhores times acreanos, além de brilhar no futebol de vários estados brasileiros. Hoje jogando no Distrito Federal, Alcione parece ser o último representante dessa linhagem.

Eu, que nasci em Brasiléia, embora tenha resolvido muito cedo bater pernas pelo mundo, torço para que o Alto Acre reúna forças para se reorganizar e um dia ascender outra vez para o primeiro escalão do futebol acreano. Não é uma tarefa impossível. É difícil sim, mas jamais impossível.

Por outro lado, como toda moeda tem duas faces, em compensação à tristeza que perpassa hoje a turma do Alto Acre, o pote de muita gente transborda de felicidade, ainda que por motivos diversos. O Andirá por permanecer na elite, o Humaitá por estar no returno. E por aí vai… Vai sim!

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