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A queda do ‘Imortal’ Colorado

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.

Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberia o improvável.

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileiro, algo inédito até então.

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno.

Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11.

Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols).

Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar.

Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

O Internacional jogava demais.

Comandados pelo técnico Ênio Andrade, Benítez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

A vitória colorado, no entanto, significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

Creio que, até mesmo, para muitos colorados, nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

Também por conta disso, que entre as 5 equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também, sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, as quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

Uma pena.

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