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Amace realiza seminário e divulga carta

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Sugestões para a melhoria do futebol profissional e da crônica esportiva deverá resumir o 1º Seminário Nacional de Imprensa Esportiva Amace/2018, realizado na última terça-feira (6) em Cuiabá. O evento promovido pela Associação Mato-grossense de Cronistas Esportivos (Amace) com a presença de 128 jornalistas e radialistas, secretários de esportes do Estado e da Capital e educadores físicos de Várzea Grande e Cuiabá culminou, após ampla discussão, com um alerta sobre o amadorismo com que é tratado o futebol no Estado.

O presidente da Federação Mato-grossense de Futebol, Aron Dresch, apesar de convidado, sequer compareceu ao evento e foi o principal alvo das críticas dos profissionais presentes e convidados. O documento a ser redigido pela Amace (documento está publicado abaixo deste texto), será entregue aos presidentes de clubes e da FMF, além de autoridades como o Governador Pedro Taques, com sugestões para melhorar o nível das competições no Estado.

A falta de atrativos nos estádios, a baixa qualidade técnica e o desinteresse do torcedor pelo futebol local também foram debatidos.

Para o jornalista Cosme Rímoli, do portal R7 e Record TV, “a imprensa e a população local precisam cobrar mais as autoridades”. “Não podem se conformar com esse estado de coisas”, disse Rímoli.

Cledi Oliveira, narrador da ESPN, falou sobre o futuro da crônica esportiva e destacou as chamadas multiplataformas para as quais devem convergir todas as mídias. “Quem não acompanhar essa evolução não terá espaço no mercado”, alertou.

O presidente da Abrace, o jornalista Kleiber Beltrão participou do evento organizado cronista esportivo Antônio Sérgio (Amace). Foto/Aceme

Kleiber Beltrão, presidente da Abrace, destacou a importância da profissionalização dos cronistas. “Vocês devem se cobrar também”, resumiu.

Para o presidente da Amace, Antônio Sérgio, o seminário superou as expectativas. “Mostramos que estamos vivos e unidos. Vamos mais uma vez tentar melhorar o nível do nosso futebol”, disse.

O secretário adjunto de Cultura, esportes e lazer do Estado, Leonardo Oliveira, confirmou a sessão de uma sala na Arena Pantanal para a Amace, que deve passar a funcionar no próximo mês.

“Os cronistas terão seu espaço num local ideal”, disse Oliveira.

Francisco Vuolo, da secretaria de esportes e Cultura de Cuiabá, se colocou a disposição para contribuir com a melhoria do futebol mato-grossense (A Gazeta de Cuiabá).

CARTA AMACE 2018

Senhores;

Durante a realização do 1º Seminário Nacional da Crônica Esportiva de Mato Grosso, realizado em 6 de fevereiro de 2018, jornalistas e radialistas de vários estados, diretores de associações regionais e nacionais, debateram com a Associação Mato-Grossense de Cronistas Esportivos (AMACE), a problemática do futebol regional, e, apontaram sugestões para melhorar a organização da competição, a contratação de jogadores de qualidade, estimular os dirigentes e facilitar o acesso do torcedor aos estádios, principalmente na Arena Pantanal, em Cuiabá. Durante sete horas, os profissionais da imprensa esportiva responderam a questionamentos, apontaram erros, falhas e sugeriram medidas que possam mudar a imagem do futebol mato-grossense e da crônica esportiva, que também passa por um processo de involução.

Os debates contaram com as presenças dos jornalistas Cosme Rímoli (Rede Record/R7-SP), Cledi Oliveira (ESPN), Kleiber Beltrão (Presidente da Associação Brasileira (de Cronistas Esportivos e Vice Presidente da AIPS América), Antônio Sérgio (Presidente da AMACE), Oliveira Júnior (A Gazeta), Antônio Coca (Vice-Presidente da Abrace Centro-Oeste) Flávio Santos (TVCA), Orlando Antunes (Mega FM e Futebol Pres.), e outros 128 profissionais.

As discussões convergiram para uma opinião unânime; considerado como um ‘produto ruim’ e sem atrativos, com baixa presença de público e fraco nível técnico, o futebol mato-grossense precisa de um tripé para reconquistar seu espaço no cenário nacional, formado por clubes, federações e imprensa, com apoio do Governo do Estado e a iniciativa privada, na busca de investidores e uma melhoria na gestão das competições, além de ações de marketing que resgatem a identidade do torcedor com os clubes locais. Sem essa união, os profissionais concluíram que dificilmente o futebol mato-grossense voltará a atrair o torcedor e consequentemente se tornar um produto vendável e rentável.

Seguem abaixo as sugestões com medidas a serem adotadas em prol do nosso esporte.

1º – Organização/Credibilidade – As competições promovidas pela FMF sofrem críticas de torcedores e imprensa, devido falhas que precisam ser evitadas, como alterações constantes de tabelas; falta de ambulância, policiamento, inclusive de erros documentais de atletas que levam as competições para uma disputa nos tribunais, como ocorreu recentemente;

2º – Divulgação – Os debates concluíram que as competições precisam ser divulgadas, através de investimentos nas mídias sociais, voltadas ao público jovem, contando para isso com um sistema ágil, com posts diários e a criação de aplicativo para promover o futebol. Além disso, o Seminário sugeriu a criação da ‘Rádio FMF’ – uma emissora WEB, oficial da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), formada por profissionais gabaritados, para transmitir as principais partidas das competições e disponibilizar o chamado ‘Link Dedicado’ que possa ser acessado por todas as emissoras para a retransmissão, sem qualquer custo. As despesas operacionais da Rádio FMF seriam bancadas por patrocinadores oficiais das competições (parceiros da entidade);

3º – Logística – Uma das principais reclamações dos torcedores á a ausência de transporte público para a Arena Pantanal e outros estádios, no interior, como o Luthero Lopes, em Rondonópolis. Nos demais, o deslocamento é mais facilitado. Para facilitar o acesso dos torcedores o Seminário sugeriu uma parceria dos promotores das competições com a MTU – Associação Mato-grossense de Transportadores Urbanos, que teriam uma contrapartida de mídia.

4º – Elencos/Atrações – A ausência de craques ou atletas de renome e talento também foi apontada como uma das principais causas para o afastamento do torcedor dos estádios. Como o custo para a contratação dos chamados ‘atletas de peso’ é alto diante da parca arrecadação dos clubes locais, o Seminário sugeriu a contratação de um jogador de renome para cada um dos clubes participantes. O custo seria bancado por 10 empresas diferentes (uma para cada clube). Estas empresas teriam direito a divulgar suas marcas em todo o material publicitário das competições, principalmente uniformes e painéis estáticos em torno do gramado do campo de jogo. Fora de campo, os promotores agregariam outros eventos, com o objetivo de atrair o torcedor, como o acúmulo de pontos por presença nos estádios e a possibilidade de premiar os presentes com um produto significativo na grande final, um carro, por exemplo, permutado com uma montadora, que teria direito a mídia na competição. Outra importante ação sugerida é realização de competições nas categorias ‘mamadeira’, ‘fraldinha’ e mirim nas escolas públicas, com as camisas e os nomes dos clubes locais, a fim de resgatar a identidade do público local com o futebol regional, com visitas à Arena e a distribuição de ingressos.

5º – Investidores – Os patrocinadores da competição devem ser convocados para uma união em torno do futebol, através de reuniões oficiais para a apresentação do evento como produto, sempre oferecendo uma contrapartida que compense o investimento e valorize o produto, estimulando a criação de uma grande campanha que desperte a paixão do torcedor por seu clube e o nosso futebol. “Eu AMO o futebol de Mato Grosso”.

Desta forma, concluímos que podemos contribuir e contarmos com o apoio dos senhores para essa nova caminhada.

 

Sérgio Antônio

Presidente Amace

Teixeira Kleiber Beltrão

Presidente Abrace

Cuiabá-MT, 8 de fevereiro de 2018