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Preleções: pedagogia e motivação

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Eu sou uma espécie de curioso das preleções ministradas pelos técnicos de futebol. Leio o que encontro a respeito. E sempre que posso dou um jeito de ficar próximo ao grupo que escuta as palavras do “professor”. As preleções revelam muito do modo de ser do sujeito que está a falar.

Mesmo que alguns jogadores não prestem muito atenção às palavras do treinador, o certo é que existem situações em que o referido profissional explica tudo direitinho como é que o time dele deve se comportar para ter sucesso na partida que se avizinha. Tudo direitinho sobre as trilhas da vitória.

É claro que nem sempre a teoria da preleção dá certo no aspecto prático. Primeiro porque, como eu disse no parágrafo anterior, nem todos os jogadores se ligam muito no que o “professor” fala. Segundo porque os caminhos da bola se configuram por demais rebeldes e pra lá de insondáveis.

Além do mais, existe um fator fundamental para o desencontro entre a preleção e os fatos que se sucedem. Justamente a falta de sintonia com o time adversário. Como não existe nada combinado previamente entre os competidores, no jogo tudo pode acontecer de forma diametralmente oposta.

Mas o bacana, interessante mesmo, o que eu mais curto nas preleções são as metáforas usadas pelos ditos “professores” para motivar ou instruir os seus jogadores. Já tive o prazer de ler e ouvir verdadeiras pérolas, tanto no sentido pedagógico quanto no que se refere à questão motivacional.

Do ponto de vista da pedagogia, Neném Prancha, técnico de divisões de base do futebol carioca nas décadas de 1950 e 1960, era um verdadeiro prodígio. Para convencer os seus jogadores que o jogo deveria ser rasteiro, de pé em pé, ele dizia que a bola vinha do boi e que este gostava de grama!

Quanto ao lado motivacional, eu ouvi uma frase curiosa num jogo entre Plácido de Castro e Adesg, num torneio acreano do passado. No intervalo da partida, querendo mais gás do time, o técnico placidiano saiu-se com essa: “Vamos jogar que os caras lá só tem dois ovos, igual a nós, porra”!

E agorinha, no final de 2017, num jogo do campeonato acreano sub-17, depois de um péssimo primeiro tempo, o técnico do Flamenguinho do Bujari alertou os seus comandados que se perdessem ninguém voltaria pra casa. Não deu certo. O time foi goleado… Mas todos voltaram ao lar, sim.

Já o técnico do time sub-17 do Transacreana, para mim esse foi perfeito nas suas palavras quando da preleção depois de um jogo em que a sua equipe não viu a cor da bola. Palavras dele: “Nós não chutamos uma única bola ao gol. Nenhuma. Quase matamos de tédio o goleiro dos caras”.

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