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Seu Antônio: uma história de amor ao tênis de mesa

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MANOEL FAÇANHA

O tênis de mesa comemora neste ano a sua terceira década de inclusão numa disputa de Jogos Olímpicos. O esporte iniciou sua participação em Olimpíadas na cidade de em Seul, em 1988. Criado no século XIX na Europa, quando ainda era chamado de ping pong, a modalidade evoluiu e ganhou o mundo, passando a se chamar tênis de mesa, uma modalidade para qual quem quer chegar ao topo necessitará de muita disciplina e uma dedicação diária de oito horas de treinamentos.

No Acre, um dos grandes incentivadores desta modalidade continua sendo o ex-bancário e economista Antônio Costa Santos, 70 anos, 50 deles dedicados a prática do tênis de mesa. Seu Antônio, assim como é chamado entre os mesatenistas, explica que, ainda muito jovem, praticava mesmo era o futebol, inclusive, chegando a atuar pelo time B do Grêmio Atlético Sampaio (GAS), isso na distante temporada de 1968. “O Gás era um time comandado por militares do Exército Brasileiro, mas era competitivo, tanto que conquistou o título estadual de1967”, lembra Seu Antônio. Porém, um problema de saúde forçou o seu afastamento da modalidade. Não podendo mais mostrar suas habilidades nos gramados e já dedicado à atividade profissional de bancário, inclusive eleito membro fundador do Bancrevea no início dos anos de 1970, resolveu comprar as duas primeiras mesas de tênis para a prática do esporte no clube. “Naquela época fui nomeado diretor do Bancrevea e então tive a ideia de introduzir a modalidade do tênis de mesa entre os associados e logo tratei de comprar duas mesas, ambas da marca Procopio”, relembra Seu Antônio, acrescentando que o clube bancário foi o pioneiro a adotar a modalidade em Rio Branco.

Organização dos mesatenistas

Na presidência da Federação Acreana de Tênis de Mesa, Seu Antônio com os mesatenistas Jéssica e Evairton na II edição do Prêmio Campos Pereira, em 2006. Foto/Acervo Manoel Façanha

Após um bom período fora de Rio Branco a serviço, Seu Antônio retornou à capital acreana em 1995. O tênis de mesa continuava a pulsar em suas veias e o objetivo dele era organizar os praticantes da modalidade numa associação capaz de representar os atletas e ainda administrar os torneios. Com muita luta, então surge em meados de 2005 a associação dos mesatenistas do Acre, entidade essa presidida pelo Seu Antônio por quase uma década. “Foi um momento de muito trabalho e, na tentativa de desenvolver um esporte diferente do futebol, às vezes, éramos chamados de sonhadores malucos e poucos acreditavam na possibilidade da criação de nossa entidade, exceto a AABB, o então governador Jorge Viana e a professora Shirley Torres (Fundação Elias Mansour). Portanto, esse apoio nos propiciou, além dos intercâmbios iniciais, várias participações em jogos escolares e aprimoramento de nossos instrutores”, explica o dirigente, hoje aposentado, mas presidindo o Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho.

Seu Antônio, que também tem formação acadêmica no curso de direito da Ufac, lembra ainda da importância do jovem Aldo Ribeiro Dedemo, paulista de Ribeirão Preto. Segundo ele, Dedemo estabeleceu o divisor entre o ping pong que se praticava até então aqui em nossa cidade e o tênis de mesa propriamente dito, com todas as suas técnicas complexas.

Intercâmbio

Em 2006, a mesatenista acreana Jéssica de Jesus foi campeã brasileira dos Jogos do Sesi e representou o Brasil na Bulgária. Foto/Arquivo pessoal do Seu Antonio

Nos últimos anos os mesatenistas acreanos têm participado dos jogos escolares nacionais, inclusive, vencendo competidores de vários estados brasileiros na categoria A. Os atletas locais também participam de eventos fora do país, como é o caso de torneios realizados em Lima, Peru, inclusive chegando algumas vezes a subir ao pódio. Neste ano, precisamente no mês de junho, o tênis de mesa acreano contará com a presença de um atleta em competição agendada para a cidade americana de Las Vegas.

Hoje, a Federação Acreana de Tênis de Mesa é presidida por Manoel Bento, grande entusiasta da modalidade e um abnegado indiscutível no crescimento da modalidade em nosso estado, diz Seu Antonio Costa.

Nossas escolinhas e núcleos

Dentre as escolinhas da modalidade destaca-se da AABB/Rio Branco, com mais de 20 anos em atividade. No entanto, hoje já surgiram alguns núcleos em outras localidades como o Belo Jardim, Tucumã, IFAC. Fora de Rio Branco também se pratica de forma organizada o tênis de mesa nas cidades de Sena Madureira, Xapuri e Tarauacá, graças a um novo maluco na praça, explica Seu Antônio. Trata-se do professor Emanuel Rogério Fernandes, idealizador do projeto “Minha Escola Tem Tênis de Mesa”.

Escolinha da AABB/Rio Branco funciona a mais de duas décadas. Foto/Manoel Façanha

Os melhores acreanos

Segundo o ranking da Federação Acreana de Tênis de Mesa, os melhores atletas da categoria absoluta são Marcelo Sampaio, Wennedy Filgueira e Netho Lima. No entanto, a partir de março a temporada do tênis de mesa começa pra valer, assim abrindo oportunidade para o surgimento de novos mitos. Um mês antes, em fevereiro, os mesatenistas iniciam sua pré-temporada nas escolinhas e núcleos.

No ranking da Federação Acreana de Tênis de Mesa, o atleta Netho Lima está entre os melhores da categoria absoluta Foto/Acervo Manoel Façanha

Melhor brasileiro

Nono colocado na Olimpíada do Rio, Hugo Calderano segue se destacando no tênis de mesa. Em ranking mundial divulgado pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) na semana passada, o brasileiro apareceu em 17º, a melhor posição da história de um atleta da América Latina.

Benefícios para a saúde

A prática do tênis de mesa melhora o reflexo, a coordenação motora e traz outros benefícios a saúde do praticante. Foto/Manoel Façanha

Os benefícios do tênis são tantos que a NASA passou a se interessar pela prática para seus astronautas. Nenhum outro esporte consegue um nível de irrigação do cérebro.

Os asiáticos há muito tempo aconselham a prática para alunos dispersivos. Nos Estados Unidos a medicina geriátrica tem recomendado o tênis de mesa para pessoas propensas a demência de Parkinson e Alzheimer. Claro, além de reflexos, coordenação motora etc…