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Mário Mota: O único jogador acreano que levou o Prêmio Belfort Duarte

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Por Francisco Dandão

Quando, em 1959, o padre Carlos o escalou para zagueiro do Flamenguinho, time da Igreja de São Sebastião, em Xapuri, Mário Mota, ainda um menino de 12 anos, jamais poderia imaginar que um dia ganharia o Prêmio Belfort Duarte, destinado aos jogadores de futebol que passam a vida exaltando o fairplay, jogando de forma disciplinada.

Mesmo sem saber que esse prêmio existia, Mário Mota desde sempre tratou apenas de jogar bola. Sua principal arma foi, durante toda a carreira, a antecipação e a antevisão do lance. Ele praticamente não deixava os atacantes dominarem a bola. E quando esses atacantes a dominavam, o zagueiro invariavelmente sabia para qual lado eles tentariam driblá-lo.

Tanto jogava aquele garoto interiorano que os dirigentes do América de Xapuri tiveram que arrumar uma vaga no time adulto para o dito cujo, logo após ele completar 14 anos, exatamente no dia 19 de janeiro de 1961. E no ano seguinte ele já era titular de uma seleção de Xapuri que excursionou à capital acreana para uma série de quatro jogos amistosos.

“Naquele tempo não tinha estrada. Nós viajamos de lancha, dormindo em redes. Aí o Rio Acre estava com pouca água, a lancha encalhou várias vezes e nós tivemos que empurrar. Mas valeu. Apesar do cansaço da viagem, nós voltamos para casa invictos. Ganhamos de Vasco e Independência e empatamos duas com o Rio Branco”, contou Mário Mota.

Xapuri ficou pequena para o futebol do zagueiro

América (Xapuri) – 1970 – José Ribamar, Mário Mota, Dunga, Curica, Orlando Capotinha, Cláudio e Berto. Agachados: Penca, Tripa, Ramé, Dinis, Mucuim e Jerico. Foto/Acervo FFAC

Mário Mota jogou ininterruptamente pelo América até 1965. Aí chegou a hora de prestar o serviço militar. E, naturalmente, o time do Exército, o Grêmio Atlético Sampaio, tratou ligeirinho de fazê-lo vestir uma nova camisa. Mas o futebol do zagueiro a serviço do GAS durou somente uma temporada. Em 1967, ele voltou a Xapuri e ao América.

Três anos depois, em 1970, o presidente do Atlético Acreano, doutor Adauto Frota, mandou buscá-lo para reforçar o Galo. De forma inusitada para a época, o zagueiro não quis receber um salário do time celeste. Em vez disso pediu que lhe arrumassem um emprego. Foi ser roçador de rua. Mas um pouco depois passou ao cargo de fiscal de obras da Prefeitura.

Dono de uma memória privilegiada, Mário Mota lembra até hoje a escalação do time do Atlético no ano em que ele mudou para o futebol da capital. Dêmis; Zé Alab, Puxa Faca, Mário Mota e Moreira; Toinho e Euzébio; Fernando Diógenes, Rui Macaco, Danilo Galo e Maurício Bacurau.

 

“Eu fiquei no Atlético até 1975. Joguei ao lado de grandes craques. Mas nunca fui campeão. E em 1976 resolvi dar um tempo da bola. Eu treinava bem a semana inteira, mas acabava ficando no banco. Achei a situação injusta. Aí, em 1977 fui jogar no Andirá, convidado pelo Zé Américo. Assinei a ficha de filiação em casa [ri]”, afirmou Mário Mota.

Nova temporada no Galo e fim de carreira no Andirá

Em 1978, na gestão de Wilson Ribeiro, o Atlético requisitou novamente os serviços do zagueiro. Mas foi só por uma temporada. Acabado o campeonato, Mário Mota voltou ao Morcego, onde permaneceu até encerrar a carreira, em 1987, aos 40 anos, quando recebeu o Prêmio Belfort Duarte das mãos do presidente da CBF, Otávio Pinto Guimarães.

Apesar ser o único atleta acreano a ganhar o Prêmio Belfort Duarte e do orgulho que sente por ser distinguido com essa honraria, Mário Mota não se inclui em uma relação dos melhores jogadores do Acre de todos os tempos. Para ele, esse time formaria com Zé Augusto, Chico Alab, Carlão, Paulão e Duda; Dadão, Mariceudo, Emílson e Euzébio; Bico-Bico e Bebé.

Mário Mota recebe das mãos de Otávio Pinto Guimarães, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o diploma alusivo ao Prêmio Belfort Duarte, em 1987. Foto/Acervo FFAC.

No que diz respeito ao melhor técnico com quem trabalhou, Mário Mota mencionou Alício Santos, o famoso “homem do cachimbo”. “Ele conhecia tudo dos fundamentos do futebol. Ele fazia treinamentos específicos com os jogadores de forma individual. Ensinava qual o melhor posicionamento, a melhor hora de dar o bote…”, garantiu o ex-craque.

Mário Mota disse que, apesar de acompanhar o futebol acreano, raramente vai aos estádios. Foto/Francisco Dandão

Atualmente, curtindo uma merecida aposentadoria, Mário Mota disse que, apesar de acompanhar o futebol acreano, raramente vai aos estádios. “Eu acho que o nível técnico do nosso futebol não é o mesmo de antigamente. Por isso eu vou pouco aos estádios. Mas eu acompanho tudo direitinho e sei que o Galo foi campeão esse ano”, finalizou o ex-zagueiro.

MATÉRIA PUBLICADA NO FUTEBOL ACREANO EM REVISTA