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Carlinhos Bonamigo: craque de técnica refinada, ele foi campeão em todos os times por onde passou

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Por Francisco Dandão

O craque Carlinhos Bonamigo, que brilhou no Juventus, no Independência e no Atlético Acreano, de 1973 a 1988, não tinha esse sobrenome no início da carreira. Isso foi uma invenção do radialista M. Costa que o achava parecido com um jogador gaúcho. E também para diferenciá-lo dos muitos “Carlinhos” que então jogavam futebol no Acre.

Armador de técnica refinada e cheio de estilo, Carlos Roberto Lima de Araújo, o Carlinhos Bonamigo, iniciou sua saga no mundo da bola em peladas jogadas num campinho desnivelado que ficava em frente da Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, bem como numa quadra nas imediações do Palácio Rio Branco. Ambos locais, na zona central da capital acreana.

Ele, que nasceu em 6 de maio de 1955, foi justamente convidado para jogar no Independência depois de uma pelada na referida quadra, em 1972, pouco depois de completar 17 anos. Quem o convidou foi o então goleiro Illimani Suares. Ele ficou no Tricolor de Aço até 1973. Daí, no ano seguinte, Carlinhos deu um tempo dos clubes para prestar o serviço militar.

Mas a obrigação com a pátria não o fez largar a bola. Ao contrário. Serviu para ajudá-lo a “ganhar corpo” para enfrentar os zagueiros violentos que ele encontraria no futuro. E serviu também para ele mostrar seu talento nas Olimpíadas do Exército, pela seleção do Comando Militar da Amazônia (CMA). Ele foi o único acreano a integrar aquele selecionado.

Os craques Dandão, Emilson Brasil e Carlinhos Bonamigo em meados dos anos 1970 com a camisa juventina. Foto/Acervo Manoel Façanha

Juventus – 1975. Em pé, da esquerda para a direita: Mustafa, Mauro, Emilson, Milton, Maurício e Antônio Maria. Agachados: Walter Prado, Julião, Dadão, Carlinhos e Roberto Pitola – Acervo Francisco Dandão.

Juventus, Independência e Atlético

A despeito de ter iniciado a carreira no Independência, foi no Juventus que Carlinhos Bonamigo encontrou o time da sua paixão. Dadão, o maior jogador do futebol acreano em todos os tempos, era fá do futebol dele. E um dia, no final de 1974, levou-o para o Clube da Águia. Bastou um treino para o jovem talento virar titular, tomando o lugar de Vute Vilanova.

Jogar mesmo pelo Juventus, Carlinhos Bonamigo só o fez a partir de 1975. Ele jogou e permaneceu titular da equipe juventina até 1982, atuando durante este tempo ao lado de craques renomados do futebol acreano. Além de Dadão, ele cita entre os seus grandes parceiros, os nomes de “Mauro, Antônio Maria, Julião, Paulinho, Xepa, Mariceudo, Emílson, Neórico…”.

Em 1983, ele recebeu uma proposta irrecusável do Independência e se mudou de malas e bagagens para o Marinho Monte. “O dirigente Adalberto Aragão me ofereceu uma boa quantia mensal, mais um carro zero quilômetro e um emprego público. Eu não podia recusar. Apesar de amar o Juventus, eu vi ali a minha estabilidade financeira”, disse Carlinhos.

O craque ficou no Independência por quatro temporadas. Aí veio 1987 e ele quis mudar de ares novamente. Entregou uma proposta em um envelope para a D. Iolanda Souza levar aos dirigentes juventinos. Eles nem quiseram analisar. D. Iolanda, então, o levou para o Atlético, onde Carlinhos, sob o comando do técnico Júlio D’Anzicourt, sagrou-se campeão estadual.

Carlinhos em ação contra o Amapá, em 1985. Na foto aparecem ainda, da esquerda para a direita, Valtinho, Emilson Brasil, Mauro Gomes e Zé Hugo. Foto/Acervo Carlinhos Bonamigo.

Independência – 1985. Em pé, da esquerda para a direita: Paulo Roberto, Klowsbey, Jaime, Paulão, Erivaldo e Merica. Agachados: Isaac, Cardosinho, Carlinhos Bonamigo, Mariceudo e Paulinho. Acervo: Manoel Façanha

Acidente de trabalho abreviou a carreira

Em 1988, Carlinhos voltou ao Juventus para disputar o Copão da Amazônia. E foi então que num jogo dessa competição, contra o próprio Atlético, ao pegar uma bola de voleio caiu sobre o braço e teve uma fratura exposta. Por ironia, o técnico do Galo era o pai de Carlinhos, Roberto Araújo. “Foi uma contusão muito séria. E aí resolvi parar”, contou ele.

Nesses 15 anos correndo atrás da bola, Carlinhos Bonamigo disse que teve mais momentos bons do que ruins. “Eu fui campeão em todos os lugares por onde passei. Isso não tem preço. O último título, pelo Galo, foi especial. No que diz respeito a tristezas, que elas sempre existem, a maior de todas foi essa fratura, que me fez parar de jogar”, afirmou o ex-craque.

Uma Um atitude que Carlinhos lamenta foi a de não ter ficado no Fortaleza (CE), em 1978. “Eu passei três meses treinando no Fortaleza e na hora de assinar contrato resolvi voltar para o Acre. Não aguentei a saudade de casa. Eu era jovem e acho que fiz uma tolice. Provavelmente, se eu tivesse ficado por lá teria deslanchado no futebol brasileiro”, comentou.

Em 1988, Carlinhos Bonamigo sofreu uma fratura exposta no braço. Foto/Acervo Manoel Façanha.

Na atualidade, aposentado como funcionário público, Carlinhos Bonamigo dedica-se a tocar uma escolinha de futebol. “Já faz alguns anos que eu reúno garotos para aprender e desenvolver os fundamentos do futebol. Aliás, nesse time do Galo, campeão de 2017, tem vários jogadores que passaram pela minha escolinha”, finalizou Carlinhos Bonamigo.