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Livro de Juca Kfouri desafia o jornalismo esportivo

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O livro de memórias de Juca Kfouri “Confesso que perdi”, lançado dias atrás, explica como o autor se tornou o mais importante jornalista esportivo do País. Não que ele tenha tentando fazer isso na obra, muito pelo contrário, mas expõe um jornalista combativo em um meio em que não se tem hábito de discutir (e criticar) temas extracampo, notadamente o do futebol, onde todo tipo de interesse anda solto.

Lembro certa vez que fui procurar um jornalista esportivo conhecido nacionalmente para comentar uma situação política do Corinthians, e ele me disse que não se envolvia nesse tipo de assunto. Essa atitude contrapõe ao que Juca Kfouri fez ao longo da carreira e que talvez, por isso, hoje tenha tanta credibilidade e audiência.

Fazer jornalismo esportivo é fazer jornalismo. Não há diferença. Juca expõe isso no livro com naturalidade. Por agir assim, como poucos, atraiu para perto de si o poder – como também arrumado muitos inimigos (e processos) ao longo da vida.

O fato é que parte expressiva do jornalismo esportivo se detém muito no que acontece no ofício da prática esportiva, e mantém distância segura das questões políticas e econômicas que se movem nos subterrâneos do esporte.

Tanto que é difícil encontrar cronistas esportivos no País que relatam o dia a dia do que ocorre além das quatro linhas do campo – na maioria das vezes se prendem ao desempenho do time, jogadores e técnico, com alguma passagem superficial nos atos dos cartolas. Interesses levam muitos a não exercerem esse papel mais agudo fora de campo, mas o motivo principal é evitar perseguições (que coloquem em risco o emprego, principalmente) em um ambiente onde o faroeste caboclo impera.

Juca mostra em seu livro de memórias que não se incomodou nem se incomoda com isso. Isso não tirou o brilho de ser um apaixonado pelo futebol. Ele somente trafegou também no lamaçal dos personagens que costumam aparecer na tribuna de imprensa dos estádios com roupar limpas e caras. Juca foi implacável com eles.

Agora que todos estão acusados formalmente de laranjas podres, de Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, da CBF, a Carlos Arthur Nuzman, do COB, a maneira de fazer jornalismo esportivo de Juca Kfouri ganha ainda mais sentido – no livro ele conta como essa turma mandava e desmandava, além de outras histórias de bastidores vividas por ele em veículos de comunicação não necessariamente cobrindo esportes, além da paixão pelo Corinthians.

Talvez se tivéssemos mais Jucas na imprensa esportiva ela fosse levada mais a sério no País.

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