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Guerreiros do futebol

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Independente de qual equipe venha a sagrar-se campeã da segunda divisão do campeonato acreano de futebol profissional, eu acho que todas as três envolvidas na disputa merecem elogios. Só o fato de terem a coragem de entrar na parada, já serve como exemplo a ser seguido por outras por aí.

Botar um time profissional em campo, nesse tempo de vacas magras, praticamente sem patrocínio de quem quer que seja, requer uma boa pitada de determinação e uma dose exponencial de paixão ao esporte. As dificuldades, as obrigações e os respectivos encargos são, de fato, enormes.

Veja-se o caso do Náuas, cujo município sede é a cidade de Cruzeiro do Sul, distante setecentos quilômetros de Rio Branco, onde acontecem os jogos do campeonato acreano da segunda divisão. Setecentos quilômetros de uma estrada praticamente destruída, cheia de buracos, poeira e/ou lama.

O Náuas, que um dia já foi um dos integrantes da primeira divisão, eu diria, só de encarar e superar tantos desafios para participar do torneio, já se pode considerar um vencedor, mesmo que os resultados dentro de campo não se configurem favoráveis. O Náuas é vencedor pela própria natureza.

Ou então, veja-se o caso do São Francisco. Qual é a estrutura do São Francisco, além do pequeno campo de treinamentos, mantido apenas pelo esforço da família Barata? Nenhuma estrutura, além dessa. Não tem estrutura, mas tem alma. Alma grande, como a do texto de Fernando Pessoa.

Eu acompanho as notícias do São Francisco e fico pensando em como devem estar sorrindo as essências de Vicente Barata, Zé Cláudio, Rui Macaco, Adherbal etc., figuras lendárias que um dia vestiram a camisa/manto do time católico e que hoje ocupam poltronas em arquibancadas celestiais.

E igualmente ao caso do Náuas e do São Francisco, veja-se o caso da Adesg, que também carece de uma estrutura mais, digamos, efetiva, dependendo sempre, para entrar em campo, da boa vontade de desportistas abnegados e de políticos da hora. Vai para a luta só por pura determinação.

A Adesg, que já disputou até o campeonato brasileiro da série C, bem como a Copa do Brasil, caiu há algum tempo para a segunda divisão do futebol acreano, mas não esmorece no seu ato de fé de voltar à elite local. Ano após ano vai para o combate e demonstra que o sonho continua vivo.

Náuas (Cruzeiro do Sul), São Francisco (Rio Branco) e Adesg (Quinari): três clubes vencedores, ainda que somente um deles vá estar entre os oito que disputarão o campeonato acreano da primeira divisão de 2018. Três símbolos de uma resistência heróica do futebol nosso de cada dia.

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