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Meu primeiro professor

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Vi inúmeras manifestações nas redes sociais alusivas ao Dia do Profissional da Educação Física, comemorado na sexta-feira passada (1º de setembro). O meu editor, Manoel Façanha, até escreveu uma reportagem sobre o tema. E então, eu decidi meter também o meu bedelho na conversa.

Mas, no meu caso, eu meto o meu bedelho muito mais para lembrar do que para, necessariamente, louvar a data. Fazer uma espécie de exercício de memória para trazer à baila a saudosa figura do meu primeiro professor de educação física, chamado Walter Félix de Souza. Apelido: feiticeiro Té.

O nosso primeiro encontro se deu em 1967, no Colégio dos Padres, que ficava ali na Avenida Epaminondas Jácome. As aulas aconteciam três vezes por semana, entre 5 e 6 horas da manhã. Eu estava prestes a completar 11 anos e estudava a 5ª série. Ele já com ares de lenda do desporto regional.

Quando eu digo regional, me refiro à região Norte, porque o professor Té não deixou a sua marca de grande profissional, tanto da educação física quanto do futebol, apenas no Acre. Ele foi técnico do Nacional, de Manaus, sagrando-se bicampeão em 1963 e 1964. Campeão amador e profissional.

O detalhe que não pode ser esquecido é que o “feiticeiro” só foi dirigir o amazonense Nacional por conta da campanha de uma seleção acreana dirigida por ele, em 1957. O time do Acre, além de alinhar ótimos craques, era armado com rara maestria, de forma inovadora para a época.

No futebol acreano, o feiticeiro Té ganhou tudo e dirigiu todos os grandes clubes locais. Talvez ele tivesse uma predileção pelo Juventus, clube que ajudou a fundar, em 1966, mas emprestou a sua sabedoria ao Independência, onde estreou como treinador, ao Rio Branco e ao Atlético.

Lá no terceiro parágrafo eu falei no nosso primeiro encontro, em 1967. Disse “primeiro” porque acabamos nos encontrando muitas vezes pela vida, fruto das nossas atividades convergentes. Depois de 1967 eu fui aluno dele na universidade e como jornalista entrevistei-o inúmeras vezes.

Aliás, acho que eu fui o último jornalista a entrevistá-lo. No segundo semestre de 2007 passei quase um dia inteiro na casa dele, na Cohab do Bosque. Gravei a sua voz tendo como som de fundo o canto dos muitos passarinhos que ele criava com o maior carinho. Ele já estava com 80 anos.

Walter Félix de Souza, o feiticeiro Té, que foi o segundo acreano formado em educação física (Escola Nacional do Rio de Janeiro, em 1948), enfim, saiu da vida em 2008. Saiu da vida mas entrou na história. Só a substância física é que foi para o espaço. Os seus feitos, esses permanecem!

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