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Os meninos do Acre

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Dois domingos atrás, dia 20 de agosto, de passagem por Manaus, depois de uma semana batendo pernas pela ilha caribenha de Curaçao (antiga colônia da Holanda nas Américas), me surpreendi agradavelmente com a capa do caderno de esportes do tradicional jornal amazonense A Crítica.

A capa em questão trazia quatro chamadas. A primeira ressaltava o momento do Palmeiras. A outra evidenciava a boa fase do goleiro botafoguense Gatito Fernandez. A terceira destacava uma campeã de natação. E a quarta mostrava uma foto do técnico acreano Álvaro Miguéis.

Na foto do Álvaro, que ocupava o canto superior direito da página, sobressaía o seguinte título: “Os meninos do Acre”. E, logo embaixo, um subtítulo afirmava que a reportagem do citado jornal havia desvendado “os mistérios do Atlético Acreano, que subiu com uma folha de R$ 60 mil”.

Diante da chamada, passei as páginas do jornal apressadamente e fui, como se diz no popular, quando não se quer perder tempo algum, “direto ao ponto”. E lá, na penúltima página do caderno de esportes, ocupando a metade do espaço, me deparei com a matéria elogiando o feito dos acreanos.

A primeira frase em destaque resumia o que foi a saga do clube alviceleste do segundo distrito de Rio Branco. “Atlético Acreano conseguiu acesso para a série C do Campeonato Brasileiro em 2018 com empréstimos, ‘terceirização do clube’, elenco barato e briga para segurar jogadores”. Isso!

O segundo ponto destacado na matéria de A Crítica completava a perfeita síntese do sucesso atleticano na série D de 2017. “60 mil reais é a folha salarial do Atlético Acreano neste ano. Com jogadores formados na base da região, time conseguiu montar um elenco competitivo e barato”.

No corpo da matéria, o repórter fez uma consideração que merece ser reproduzida. “A festa pelo acesso coroou uma verdadeira batalha contra as dificuldades de se fazer futebol no Norte e o cenário vivido no estado vizinho não é muito diferente do que se encontra nos campos amazonenses”.

E, por fim, uma constatação, de efeito comparativo, entre o futebol do Amazonas e do Acre. “(…) o Atlético conquistou o primeiro acesso da sua história (…). A última vez que um clube amazonense esteve nessa divisão foi em 2008, com o Holanda, quando esta era a última divisão do futebol nacional”.

Não pude deixar de lembrar tudo isso na noite dessa recente segunda-feira, quando o Atlético perdeu por dois a zero para o paranaense Operário, deixando de ir à final da série D. Que ninguém se deixe abater pela derrota. A missão foi bem cumprida. Que o hóspede azul do vento voe até o infinito!

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